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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ACORDISTA ORTOGRÁFICO MARXISTA!

Fernando dos Santos Neves, lusófono integralista e "acordista", dá-nos, no Público de 9 de Agosto de 2011, um concerto de acordo*, inspirado pelas "Onze teses sobre Feuerbach" e destinado a zurzir os "desacordistas". O Sr. Professor não é marxista; antes feuerbaixista de alto abaixo, e toda a sua argumentação é sustentada pela primeira tese de Feurbach, por coincidência  a primeira, onde Marx recusa que a realidade seja apreendida de forma intuitiva, como quer; mas sim pela atividade humana sensível, como praxis, não subjectivamente. Talvez por isso se tenha esquecido (?!) dela.

Esta abordagem idealista e descabelada do acordo desconhece, claro, a realidade que são os falantes. Os iluminados/idealistas, como o próprio se crê, não se embaraçam com a apreensão da realidade: intuem-na.
Só isso explica o despudor de concluir a argumentação com a décima primeira tese, segundo a qual o que importa "não é  interpretar o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo" com base nas intuições dos iluminados: políticos, editores, livreiros e o acordista in charge.


A apreensão da realidade não pode desconhecer o que toda a gente percepciona: que a mesma língua não é falada nem escrita exactamente como querem os acordistas. Certamente pensam que as pessoas vão começar a falar como escrevem. TOLICE REMATADA! É precisamente o contrário: o que fazem os escreventes é plasmar na escrita, não só o que lêem mas o que ouvem. Os gramáticos e linguistas limitam-se a encontrar as regras e a fixar as novas formas. Todos sabem, e o acordista eminente também, que as línguas têm a ver com o contexto em que se falam. Mesmo quando uma outra língua se impõe ( e atenção que não foi o caso do latim) os falantes modificam-na. Só por curiosidade, talvez o Sr. Professor (por extenso, claro),
não saiba que o português vem do baixo latim. Se não fosse "a populaça, o Senhor estaria ainda hoje a falar a língua do Lácio e não haveria lusofonia para ninguém. Eu bem sei que à costela imperial custa muito àceitar a deriva dos falares e, consequentemente dos escreveres. Mas o importante não é impormos a mistela luso-brasileira a brasileiros e palops. Se o latim sobreviveu mais de vinte séculos como nossa matriz linguística, o português pode-se transformar-se em matriz de novas línguas, embora também possa sobreviver salpicado de novas palavras cozinhadas e modificadas pelos falantes de outros espaços e realidades. E eles irão pronunciá-las e escrevê-as como lhes der na gana, por muito que doa aos engenheiros das línguas.


*instrumento musical

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Cuidado, muito cuidado! Crianças e mulheres primeiro! O barco está àfundar mas o povo é sereno.

sábado, 9 de outubro de 2010

O Nobel de Llosa abre as portas a Lobo Antunes

Já não era sem tempo que Llosa chegava ao Nobel, o que não significa em absoluto que um escritor não precisa de ser Nobel para ser bom. Os exemplos são mais que muitos. E agora sim, acredito que António Lobo Antunes chegará ao Nobel. As afinidades entre os dois não são poucas (escrita, feitio, amores e rancores)  e não se pode gostar de um sem se gostar do outro; e se de um gostamos mais de uns livros, de outro gostamos mais de outros. Oxalá não me engane e a estes se possa um dia, não distante, vir a juntar José Luís Peixoto.

Afinal os senhores da administração pública vão poder continuar a acumular reformas e salários

De facto parecia fartura demais, mas a máscara da véspera caiu logo no dia seguinte. Tem razão VPV (Vasco Pulido Valente, muita razão, quando diz que os partidos "corruptos" do centrão "se começam a desfazer" e "tenderão fatalmente a paralisar o regime e, tarde ou cedo, acabarão por o desmantelar". Oxalá!, só espero que dos escombros surja qualquer coisa de decente.

Só me assusta-me o facto de os portugueses, atavicamente reverenciais e submissos aos grandes, passarem a pensar pela cabeça dos novos corruptos que se erguerem do monturo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ADVOGADOS: O nó górdio da corrupção na Pategónia!

Respigado dos jornais de hoje
No inquérito de opinião aos advogados de todo o mundo  feito pela IBA, Organização Internacional International Pro Bono, com a colaboração de diversas organizações internacionais sobre a sua percepção relativamente ao grau de práticas corruptas nos respectivos países, e m Portugal só "seis a dez advogados responderam". A amostra é curta e quem cala consente, daí que a IBA conclua que 60% dos nossos advogados acha "que a corrupção é um problema na sua actividade profissional". O curioso, mas que não espanta os pategónios, é que ficamos acima da própria Berluscália e nos situamos, em termos gerais, algures entre a Costa Rica e a Nigéria.

Claro que os pategos convivem bem com isto pois até nutrem um misto de simpatia e inveja pelos corruptos e nem se inportam de votar neles.

A nossa esperança, na impossibilidade de lidarmos com a corrupção através da justiça, seriam em princípio os advogados. Mas se a corrupção, a fazer fé neste inquérito, campeia precisamente entre aqueles que deviam combatê-la, como resolver o assunto? Alguém disse "através de uma elite não corrupta" com respaldo de forte apoio político"?

Sobre o bastonário, estamos conversados, é o sanctus-sanctotorum de todos os advogados e está lá para defender a classe e não a classe da classe.

Sobre o PGR, parece manietado pelo próprio poder e, já que não lhe dão condições, devia atirar com a toalha ao chão.

Como desatar este nó?

Eu tenho uma sugestão:
1) Colocar o combate à corrupção política e económica na constituição.
2) Criar um gabinete anti corrupção dentro desse quadro, com um chefe nomeado pelo Presidente da República e sancionado pelo Conselho de Estado, perante os quais responderia. Esse chefe constituiria a sua equipa e seria dotado de todos os meios materiais e humanos para executar as tarefas inerentes à sua actividade.
3) Criar um quadro legal da constituição do gabinete e âmbito de actuação, assim como para o próprio crime económico e corrupção, suficientemente espartilhado para não permitir fugas processuais.
4) Criar um quadro penal que resguardasse ad eaternum o não regresso dos infractores à actividade pública
5) As actividades desse Gabinete, chamemos-lhe GAR, focar-se-iam na actividade dos políticos e não seriam restringidas por quaisquer imunidades.
6) As activididades teriam de pautar-se pelo sigilo e não invasividade, sendo as suas provas comunicadas ao PR que as sancionaria com ou sem consulta ao C. de Estado, após o que as reenviaria de novo ao Gabinete para avançar de imediato com uma queixa-crime do Estado contra pessoa ou entidade determinada.